Perfect brother’s, perfect waves, perfect days!

Irmãos perfeitos, ondas perfeitas, dias perfeitos!

Conjecturas, conjecturas, mais conjecturas e a idéia de felicidade sempre irá parecer incompleta quando traduzida em simples palavras. Para mim, por exemplo, ser feliz significa, mais que o acúmulo de bens materiais, um estado de alma, de observar e exercitar a vida, a própria rotina - esse somatório mágico e tão pouco valorizado de minutos que serão, um dia, o exato viver de cada um. E tem cada qual a sua maneira de se impressionar.

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Filosofia de vida

O surf em suas variadas formas é uma filosofia de vida saudável e muito praticada na nossa cidade sempre maravilhosa e cheia de graça. E foi assim que, desde que me entendo por gente, desenvolvi uma intimidade com o esporte pelo fato de meus dois irmãos de sangue, Sérgio Peixe e Vinícius Thedim, o “cabeça”, serem um dos mais antigos amantes e praticantes desta arte. As primeiras pranchas eram de madeirite, um tipo de material que se diferenciava bastante do que atualmente se utiliza na confecção das mesmas, o poliuretano e o isopor. Bastante longas, e sem a necessária leveza, as longboards, como diz o nome, exigiam uma imensa habilidade daqueles iniciantes que, com o passar dos anos, deram ao surf um mais que merecido lugar de destaque no ranking esportivo. Podemos citar vários nomes, todos velhos conhecidos que freqüentaram o Pier de Ipanema e o Arpex (Praia do Arpoador) nos seus áureos idos da década de 70, ícones da cultura pop underground, do movimento hippie e da contracultura em suas formas mais exuberantemente manifestas. Lá se podia sonhar com séries perfeitas, devido às ondulações que se formavam, estimuladas pelas estacas de ferro mar adentro, entre as ruas Farme de Amoedo e a Teixeira de Mello, um inegável marco dessa época inesquecível. Considero um privilégio ter vivenciado, in loco e integralmente, esse momento específico da história e, parte de toda uma geração, me deleitado ante a abundância criativa que surgia constantemente de todas as vertentes artísticas. Penso que seria injusto citar alguns nomes e deixar outros de lado por simples questão de memória, afinal, nem sempre a máquina está atualizada, e por isso mesmo o destaque será para os que, desde muito cedo, acompanho com orgulho a trajetória. Não posso falar de um sem citar o outro, mesmo sendo de diferentes modalidades, pois estaria cometendo uma heresia fraternal imperdoável.

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Juventude transviada?

O contato com o mar sempre foi uma realidade para nós que morávamos perto da orla de um dos mais badalados e famosos bairros do Rio de Janeiro, cantado por poetas e palco dos mais diferentes e prosaicos acontecimentos: a velha e sempre atual Ipanema. Não havia como ficar indiferente ao divino prazer de dividir o mesmo espaço com as personalidades mais efusivas que coloriam com suas presenças constantes os metros quadrados mais disputados do país. Chegar do colégio e rumar para a praia era lugar comum e tudo podia acontecer quando nos encontrávamos, desde um simples papo cabeça até uma fantástica e lisérgica viagem com um yellow sunshine ou um purple haze, que terminava numa louvação ao deus Sol, sob os aplausos de uma juventude, no mínimo, muito diferenciada. Foram tempos onde a palavra de ordem era experimentar. Tudo era novidade ante o olhar travado dos que vieram antes, de nossos pais e da velha sociedade em que nos pretendiam ainda manter ajustados. As coisas aconteciam num sequencial de descobertas que permitiriam ao mundo uma nova maneira mais espontânea, mais autêntica e revolucionária de perceber a vida.

A caminhada da Lagoa até a praia na Rua Montenegro, hoje Vinícius de Moraes - numa homenagem justa ao poetinha que cantava e encantava com seus versos e prosas toda a galera - era diária e permitiu aos meus brother’s (irmãos) uma experiência que se tornou um vício que até hoje protagonizam, felizes, como quando crianças tentavam suas primeiras manobras.

Kneeboard, o surf de joelhos

Um é kneeboarder, como é denominado quem surfa de joelhos na prancha. Um peixinho que se tornou um Peixe grande, deixando boquiaberta a multidão que se enfileirava no asfalto para apreciar seu estilo único ao exibir sua malemolência e talento nato nas manobras perfeitas no mar cascudo das ressacas de inverno na antiga praia da “Monte”. E o outro gosta de surfar como a maioria, de pé, radicalizando também com muito estilo e profissionalismo.

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Sérgio Peixe

Além de dezenas de títulos brasileiros, estaduais e municipais, o kneeboarder Sérgio Peixe traz no currículo os títulos de Campeão Mundial Master na Austrália, no ano de 1996, o de Campeão Panamericano em 1997 na Barra da Tijuca e o de Campeão Mundial no ISA Games, em Porto de Galinhas, Pernambuco, em junho de 2000, onde desbancou, do alto de seus bem vividos 43 anos de idade, a hegemonia da lenda de Gigs Celliers, da África do Sul, campeão nos quatro últimos mundiais! Suas pranchas, confeccionadas por ele mesmo, são procuradas por pessoas de todos os estados e até de outros países. Sérgio Peixe Kneeboards, um luxo para quem sabe o que é bom.

Vinícius Thedim

E, rezando a cartilha como manda o figurino, não posso deixar de citar os muitos títulos também adquiridos pelo outro irmão, o caçulinha, Vinícius Thedim que com suas manobras radicais nos encanta até hoje. Foram vários títulos como: campeão em Saquarema, Matinhos(PR), Fortaleza e Prainha, um conhecido point do surf aqui das cercanias do Recreio dos Bandeirantes, onde atualmente temos o prazer de viver. Nos anos de 2007 e 2008 sagrou-se campeão no circuito “Legend”, para os praticantes acima dos 50 anos.

Fica aqui o registro e a homenagem a esse esporte maravilhoso e encantador que é o Surf, um estilo de vida, uma prática do bem viver e um exercício de felicidade em dias perfeitos.

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ALOHA!

Christina Thedim


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