A cultura surf surge no Sul do Brasil

A BUSCA POR CONHECIMENTO

Das primeiras pranchas que o Mário Pettini fez em 1963 para os irmãos Johannpeter através de fotografias eram uns pranchões monstros, pesadíssimos, sem shape, mas foi um negócio totalmente pioneiro, sem nenhuma experiência, que resultou em uma busca ávida para entender como se fazia surf e onde encontrar equipamentos. E assim começaram as viagens atrás de informações sobre o esporte que recém surgia.

RIO DE JANEIRO

Naqueles tempos era hábito gaúcho viajar no inverno para o Rio de Janeiro, e foi numa destas viagens que Klaus e Jorge Gerdau Johannpeter foram tentar entender e conhecer o que estava acontecendo por lá, inclusive na época havia muito poucas pranchas no Rio, estava tudo começando. Procuraram e encontraram alguns surfistas na praia do Arpoador e deles compraram pranchões de fibra de vidro,trazendo a novidade para Torres e iniciando assim a atividade do surf entre amigos e familiares.

Dos primeiros jovens que aprenderam a surfar com os irmãos pioneiros, foram Marco Antonio Silva, Roberto Bins e Martin Streibel, estes meninos são da primeira geração de surfistas do Rio Grande do Sul, que deram, nos primeiros campeonatos iniciados em 1968, shows de habilidade e beleza. Marco Antonio Silva vence o Iº Campeonato Gaúcho em 1968, e Roberto Bins Júnior é o segundo campeão do estado em 1969, com Martin Streibel em segundo lugar neste mesmo ano.

Paralelamente, Fernando Sefton, que trabalhava no eixo Rio- São Paulo, visita o Arpoador fazendo amizade com os pioneiros do surf local, trazendo para a praia de Atlântida uma “Madeirite”, onde inicia os filhos Paulo, Ricardo e Betty a praticar o esporte, estes se tornaram grandes campeões de surf a partir de 1969, quando Betty recebe o título de campeã, sendo a primeira mulher a vencer um campeonato no Rio Grande do Sul, e no próximo ano desponta o jovem Paulo Sefton, que se consagra campeão gaúcho em 1970,71/72 e se torna pentacampeão em 1980, vindo a ter uma carreira brilhante de vitórias junto com seu irmão Ricardo.

Enquanto isso, Mário dá continuidade à fabricação das pranchas e experimenta com seus filhos Roberto, Luiz e Paulo as “Pettini” no mar de Atlântida.

Dai para frente nada mais seria como antes, o surf viria a ser a grande diversão familiar nos próximos verões, atraindo olhares interessados, novos adeptos e definitivamente mudando o conceito de pegar praia por todo o estado. A Cultura Surf surgia no sul do Brasil.

E os anos 60 só estão começando...

ALOHA!

Cristina Engler


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