1965 - Arpoador, um Oásis no Meio da Ditadura

Estamos em meados dos anos 60 e o surf no Brasil, principalmente no Rio, torna-se uma realidade. A "república livre do Arpex" passa a ser a Meca do surf tupiniquim, em meio a uma ditadura instalada pelos militares.

Apesar de "livre", tínhamos horário para funcionar, pois o Arpoador era uma área militar, que ficava fechada das 6 horas da tarde até às 6 horas da manhã do dia seguinte. Sim, quando dava 18 horas éramos todos obrigados, pelos milicos, a deixar nosso cantinho, a área proibida começava onde é hoje o parque Garota de Ipanema. Não satisfeitos, como o surf era considerado um "esporte de desocupados", resolveram proibir a sua prática de 9 horas da manhã até às 2 horas da tarde, por ser considerado um esporte perigoso que ameaçava a integridade física dos banhistas.

No entanto, apesar da repressão imposta pela ditadura, o Arpoador virou o "point" mais freqüentado não só pelos surfistas, mas por todos que amavam a liberdade, como artistas, escritores, intelectuais e outros do gênero.

A partir de 1965 o surf começa a evoluir no Rio, ou Arpoador por assim dizer, pois lá era onde tudo acontecia, onde a galera se reunia, onde surfistas famosos da época, como Mark Martinson, Dale Struble, Mickey Dora, Joey Cabel, e muitos outros, vinham direto quando visitavam o Brasil. Onde os primeiros campeonatos começam a rolar e os famosos "pranchões" e "gunseiras" começam a dar lugar aos shorts boards e semi guns. Todas as novidades chegavam e saíam daqui com muita rapidez, inclusive os melhores surfistas, que não vou citar nomes, pois posso me esquecer de alguns. A pioneira fábrica brasileira de prancha, instalada em São Conrado, começa a produzir as primeiras surf boards nacionais. Um grande e famoso surfista da antiga faz uma viagem ao Hawaii, e na volta traz na bagagem a primeira mini model a pousar no Arpoador. Fizemos fila para experimentar aquela novidade, que a princípio achávamos que não ia funcionar, por causa da dificuldade em remar numa prancha tão pequena, mas ao entrar na onda sentimos que as manobras eram mais radicais e velozes e o problema da remada era questão de tempo e adaptação. Resultado, como não tínhamos espuma para shapear uma mini model, no dia seguinte, muitos pranchões passaram a ser descascados e suas espumas reutilizadas para produção das primeiras pranchinhas nacionais, pois nesta época ainda utilizávamos muita prancha importada. E a "REPÚBLICA LIVRE do ARPEX" ia ficando cada vez mais famosa e conhecida no meio da galera já citada, inclusive com a liberação do horário proibido, uma grande conquista em meio a tanta repressão que rolava nesses tempos. Nasce então um mega projeto, um interceptor oceânico para jogar o nosso "cocô" bem longe do litoral, ou seja, vem aí o "PIER de IPANEMA". Este assunto merece um destaque especial, marcou uma nova era, fica para depois.

Aloha galera, não há nada que um bom dia de surf com JESUS não cure.

CECEU, "o surfista garotão" (58 anos com corpinho de 57)… há, há, há………

Ceceu Pimentel


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